domingo, 12 de julho de 2009

Amigo tecnológico

Você já notou como é comum ver alguém desacompanhado grudado no celular ou no notebook? A tecnologia e os ambientes com internet sem fio deixam as pessoas mais confortáveis para frequentarem sozinhas cafés, bares e restaurantes.



Em uma mesma cafeteria, no centro da cidade, quatro clientes, sentados sozinhos manuseiam seus computadores portáteis. É intervalo de almoço e o local está movimentado. Um homem vê páginas de notícias, enquanto uma mulher acessa um site de relacionamentos. Em outro canto, uma segunda mulher não se contenta somente com o notebook e também fala ao celular. O homem levanta para ir ao banheiro e leva junto seu computador. Em meia hora, os quatro ficaram sozinhos, ou melhor, com seus companheiros tecnológicos.
Essas cenas são cada vez mais comuns nos locais públicos das grandes cidades. A portabilidade dos equipamentos de tecnologia e a maior oferta de estabelecimentos com sistema wireless (rede de internet sem fio) está animando um número maior de pessoas a chegarem e permanecerem sozinhas em cafés, bares e restaurantes.


João Luiz Carvalho costuma ir ao Fran’s Café com seu laptop
Faz parte do cotidiano do médico Marco Aurélio Korbela, 45 anos, trabalhar com seu computador em um café
O médico Marco Aurélio Korbela, 45 anos, não sai de casa sem seu computador portátil. Nos intervalos entre consultas, ou entre o trabalho e a academia de ginástica, gosta de passar pelo café Quintana, no Batel, próximo a casa dele. Senta em uma mesa sozinho, pede café e alguma coisa para comer e abre seu aparelho. Atualiza e-mails, analisa exames de pacientes e dá uma olhada em sites. “Uso para trabalho, para organizar a minha vida. É bom poder fazer isso em um ambiente gostoso, como um café”, diz. Ele não se considera uma pessoa tímida, mas confessa que o computador é seu parceiro, não para fazer amizades virtuais, mas como instrumento de trabalho. “Sou um gadgetmaníaco, sempre gostei de tecnologia”, diz. Gadget é uma gíria para equipamentos tecnológicos como MP3, smartphones e computadores compactos.
Na praça de alimentação de um shopping, a editora musical Priscila Pereira, 23 anos, usa um pequeno notebook e diz que tem o costume de abri-lo em locais com muita gente. “Todo dia, no almoço e no intervalo das aulas do mestrado”, diz. Ela afirma que não se sente mal quando está sozinha em ambientes públicos, mas como sempre está com notebook, nota como outras pessoas acabam usando os computadores portáteis, ou telefone celular, como uma espécie de ‘escudo’ contra a presença dos outros.
Timidez?
Em parte, essa atitude automática – de chegar a um local público e logo se conectar a algum equipamento – pode ser explicado pela timidez, diz a psicóloga Luciana Bachtold. São pessoas mais introvertidas que até querem se socializar, mas que sentem um certo constrangimento ao ficarem sozinhas em ambientes públicos. “Por outro lado, esse comportamento é bem comum do mundo moderno, no qual muitos colocam a tecnologia em primeiro lugar. As pessoas se acomodam nesse mundo virtual e se afastam, cada vez mais, do contato real”, diz. Em muitos casos, o computador portátil pode servir como uma barreira para o contato. “A pessoa poderia estar olhando para o lado, estar aberto para novas amizades, mas se fecha na tela do computador”, afirma a psicóloga.
Para ela, é preciso que o usuário imponha limites no uso desses acessórios. “As pessoas se acostumaram a conversar somente pelo computador. Mas o contato real, o olho no olho, é mais importante emocionalmente. Por isso, é bom tentar fazer com que a internet seja facilitadora, mas não substitua o contato real, que proporciona a troca”, diz.
Facilidade
Se há 15 anos um computador chamado de portátil pesava quatro quilos, hoje são comuns os de 800 gramas, que cabem facilmente em qualquer bolsa ou pasta.
Cada vez mais compactos e fáceis de manusear, computadores portáteis e telefones móveis inteligentes (smartphones) permitem um contato com o mundo a partir do lugar que se escolha estar. “São úteis também como instrumentos de lazer. Dá para chegar em um café, ler o jornal pela internet e consultar o horário do cinema”, diz Aldolino Cordeiro Bastos, vice-coordenador do curso de bacharelado em Sistemas de Informação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
A portabilidade é cada vez mais surpreendente. Já em início de comercialização, o pen computer é um computador em tamanho e forma de caneta, que projeta, em dois planos retos – como uma mesa e uma parede – , o teclado e a tela do computador. “O trabalho do projetista está nisso, em fazer com que o computador otimize a atividade do usuário, seja para trabalho ou lazer”, diz o coordenador do curso de Sistemas de Informação da UTFPR, Gustavo Alberto Lugo. Mas até mesmo quem vive a realidade dos avanços da tecnologia diz que a relação muito intensa com o computador pode ser perigosa. “É uma falsa impressão de que a solidão diminui com a internet. Não se criam laços reais, mesmo com equipamentos de imagem e voz. Não substitui o trato, pois a pessoa em frente de outra real se torna mais responsável, responde de forma direta a seus atos”, diz Lugo.




Roteiro wireless

Veja alguns locais para se tomar um café acompanhado do computador:

Boulevard 2 de Julho Café - Av. João Gualberto, 1.417, Alto da Glória, fone (41) 3039-1008. De segunda a sexta, das 9 às 19 horas. Sábado, das 10 às 17 horas.

Boddega Café -Rua Augusto Stresser, 80, fone (41) 3014-6287. De segunda a sexta, das 9 às 19h30 horas. Sábado, das 9 às 18 horas.

Café Babette - R. Prudente de Moraes, 1.101, Centro, fone (41) 3205-0955. De segunda a sexta, das 8 às 23 horas. Sábado, das 8 às 16 horas.

Café do Ponto - Rua Ébano Pereira, 97, Centro, fone (41) 3022-5261. De segunda a sexta, das 8 às 20 horas. No sábado, das 8 às 19 horas.

Café do Top - Av. Cândido de Abreu, 127 (Shopping Mueller), Centro Cívico, fone (41) 3224-3659. De segunda a sábado, das 10 às 22 horas. Domingos e feriados, das 11 às 22 horas.

Cafezau - Rua Augusto Stresser, 318, Alto da Glória, fone (41) 3018-1088. Segunda, das 14h às 23 horas. De terça a sábado, das 11 às 23horas e domingo, das 14 às 20horas.

Fran’s Café - R. Gonçalves Dias, 151, Batel, fone (41) 3042-2301, Praça Espanha (Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.262) e na unidade da Fnac (ParkShopping Barigui). As duas unidades do Batel atendem todos os dias, 24 horas. A da Fnac funciona no horário do shopping: de segunda a sexta-feira das 11 às 23 horas, sábados das 10 às 22 horas e domingos das 14 às 20 horas.

Hacienda Café - Al. Prudente de Morais, 1.283, Batel, fone (41) 3018-9525. De segunda à sexta, das 10 às 22 horas.Hoo Café: Al. Augusto Steffeld, 1.527, Bigorrilho, fone (41) 3024-1220. Diariamente, das 11 horas à meia-noite. Kauf Cafeteria: Av. Sete de Setembro, 2.775 (Shopping Estação), fone (41) 2101-8252. De segunda a quinta, das 10 às 22h30. Sexta e sábado das 10 às 23 horas. Domingo das 11 às 22 horas.

Lucca Cafés Especiais - Rua Ébano Pereira, 19, Centro, fone (41) 3039-9330. De segunda a sexta, a partir das 8 horas. Sábado e domingo, a partir das 9h30.

Quintana Café & Restaurante - Av. Batel, 1.440, fone (41) 3078-6044. Segundas, terças e sábados, das 11 às 19 horas, quartas a sextas-feiras, das 11 às 23 horas e domingos das 12 às 15h30.

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